sábado, 27 de novembro de 2010

Fronteira - texto adaptado

Este é meu último texto como aluno da Etec PJ. Também pode ser minha única herança real para aqueles que ocuparão o meu lugar. Não se trata de uma carta de suicídio nem uma declaração melosa, mas de uma despedida. Um depoimento, relato de meus pensamentos no meu último dia real de aula.
Há três anos, entrei no PJ sem nada a perder e nenhuma garantia de sucesso, assim como uma penca de moleques e garotas da minha idade que provavelmente deviam ter planos muito mais ambiciosos do que os meus. Fiz alguns amigos, colecionei desavenças, descobri que era possível trabalhar e estudar mais duro do que eu já fazia e que ser uma pessoa dedicada não impede ninguém de ter uma vida modestamente normal – antes me julgava um workholic e um anti-social.
Estes três anos poderiam ter se passado por sonho não fosse alguns relicários: um conjunto de peças surradas de uniforme escolar, fotos ridículas e constrangedoras até certo ponto, uma escultura de uma rosa-dos-ventos em imitação de pedra, uma viola de três cordas feita de restos de madeira e pregos, um apagador de lousa gigante que eu mesmo projetei e contruí e pilhas de livros e páginas e mais páginas de anotações. Passou muito rápido, rápido demais. Parece ontem que acordei para ir ao meu primeiro dia de aula do Ensino Médio, de uniforme novo, óculos retos, cabelo bem penteado, rosto limpo, mas coberto de espinhas, armado de desconfiança e muito nervoso. Todos sentimos isso naquele dia.
Agora, depois de toda a empolgação da despedida, me vejo tomado por uma profunda sensação de vazio. A solidão é muito diferente do alívio que eu esperava sentir. Quando pensei em uma metáfora para descrever isso, a primeira imagem que me veio à cabeça foi encruzilhada (os cristão mais ortodoxos que me perdoem); um lugar onde escolhemos o próximo rumo a tomar. Todavia, uma fronteira expressa melhor o que quero dizer. Uma fronteira guardada por um muro bem alto.
Abandonamos para sempre o mundo que conhecemos. Sabemos para onde vamos, onde temos de estar, temos planos, perspectivas, contudo não sabemos o que nos aguarda. Só o que podemos fazer é pedir sorte a Deus e nos valer de todo o conhecimento assimilado, muito pouco por sinal.
Não fiz nem metade das coisas que queria ter feito. Deixei de dizer muitas palavras que tinha em mente. Não me relacionei da maneira que queria com as mulheres por quem tinha desejo e afeto e me impedi de ir à desforra quando o queria era botar a casa abaixo. Ouvi muitos desaforos e absurdos em silêncio e errei demais.
Não cometam os erros que cometi e façam as coisas que deixei de fazer. Saboreiem cada mancada; em breve elas não serão tão fáceis de perdoar quanto agora. Se não puderem conseguir perdão por elas, encontrem forças perdoar e aceitar a si mesmo como seres humanos falhos, porém funcionais. Bebam, abracem, beijem, farreiem, estudem, sonhem, trabalhem para concretizar seus sonhos e criem juízo pra que nenhum dos frutos do seu trabalho se perca.
Sejam verdadeiros sempre. As mentiras podem ficar quando você se for, mas as verdades são tudo o que levará desta vida além de boas lembranças e algumas recordações mais amargas. Aqui vocês enterram três anos de suas vidas. Jurei a mim mesmo que não sentiria saudades e descobri que estava amargamente enganado.
Descobri que me doía a perspectiva de talvez jamais encontrar novamente aquelas pessoas com quem convivi por tanto tempo. Talvez esqueçam de mim e, caso nos cruzemos na rua um dia, não iremos nos reconhecer ou recordar os nomes uns dos outros. Talvez isso aconteça porque guardamos nossos colegas no memória como os conhecemos e é desta maneira que sempre serão para nós.
Hoje sou um homem formado, de voz grossa, barba rala, óculos tortos e cabelos rebeldes. Pretendo trabalhar com afinco e estudar cada vez mais, entretanto, por mais longe que vá meu pensamento, meu coração sempre será marcado por tudo o que se passou do lado da fronteira no qual ficou a minha adolescência, enjaulada para sempre em uma das celas do Carandiru.
É na fronteira da minha vida, sozinho em meio à multidão, escrita em uma camiseta velha do colégio, que deixo minha carta de despedida. Posso estar zarpando para mares desconhecidos, mas as pegadas que deixei na areia, onda nenhuma vai apagar.

Ass.: Rodrigo Sincevicius Martins,
o Gigante, o Urso, o “Rodrigation”, o Marreco.
Formado no ano de 2010, no Ensino Médio, na Etec Parque da Juventude,
3° Ano A, nº33.

P.S.: Rogo aos meus antigos professores e queridos amigos, que façam um ínfimo esforço para que esta herança seja esquecida no tempo, pois, até meus artigos serem publicados ou meus ossos serem fossilizados – o que vier primeiro -, esta é a única coisa que, além de memórias, deixo para trás.

São Paulo, 26/11/2010
sinckeviciusthunderdrums@gmail.com

domingo, 19 de setembro de 2010

Gramática.

Que belas palavras,
Que orações tão bonitas
Pelos mais célebres mestres escritas.

Ensinam-nos o que dizer
E a norma culta de se falar.
Substantivos, verbos, artigos.
Adjuntos e adjetivos;
Nada disso existe no popular.

Vejam que respeitáveis regras
Elaboradas pelos mais doutos senhores.
Palavras corretas e aristocráticas
Não precisam de cheiros nem de cores.

Quem dera servissem para
Para alguma coisa também.

Rodrigo Martins
rodrigosinc@hotmail.com

terça-feira, 14 de setembro de 2010

1985

No ano de 1985, os protestos por parte dos estudantes brasileiros chegaram a tal proporção que colocaram abaixo um regime militar que perdurava por mais de vinte anos. Naquela época, os jovens que se opunham em seus ideais aos princípios impostos pelo governo; eram capturados, presos, torturados e, muitas vezes, mortos. Pessoas desapareciam o tempo todo e, em paralelo às passeatas combatidas pelas tropas de choque, artistas de todo o Brasil afrontavam os militares e atiçavam as multidões.
Hoje, séc. XXI, pessoas ainda desaparecem e são mortas, o governo ainda pinta e borda fazendo o que bem entende e passeatas continuam a ser organizadas exigindo medidas de melhora e renovação. Apenas um fato novo: o silêncio dos artistas.
As bandas e personalidades inusitadas, a poesia violenta e comovente, a raiva, o sentimento de revanche, todos esses fatores presentes nos anos 80 sumiram junto com a morte e aposentadoria da maioria de seus representantes. Sobraram apenas os “dinossauros” que raramente lançam uma música nova. No lugar deles, caiu no gosto da molecada a poesia melosa, mistura de a atitude do rock, o ritmo do samba, a personalidade do pop, o sentimentalismo do sertanejo e a alegria do forró, só que sem a mesma identidade e nem a mesma sonoridade.
Essa nova poesia não tem posicionamento político, possuem rimas fracas, pouco conteúdo e, ao ouvinte desacostumado, parecem todas iguais. Não é culpa dos adolescentes se eles se abraçaram esse estilo; a mídia a serviço daqueles que retém o poder investe pesado bombardeando crianças com músicas sem conteúdo intelectual para que no futuro, comandar uma nação seja muito mais fácil. Prova de que isso é uma realidade é a participação e posicionamento político dos menores de 18 anos (ou até mais!) e a sua falta de conhecimento quanto aos assuntos globais, a não ser que a notícia seja quem terminou com quem ou qual é a marca de batom de tal atriz.
Existem, porém, entre os novos ídolos da galera, os que se empenham em protestar e fazer barulho, empenhando-se em ser uma pedra no sapato dos ricos e poderosos. É só uma pena que esses especialistas em protestos e respostas mal-criadas não tenham dominado ainda a arte da sutileza, de falar nas entrelinhas e fazer melodias agradáveis ao ouvido além de um belo patrocínio e espaço na mídia.
Quer gostar de um tipo de música que pinta tudo de colorido, tudo bem, é uma escolha sua, mas tenha pelo menos consciência do mundo em que você vive fora das comunidades virtuais e redes sociais. Deixe o twitter de lado pelo menos por hoje e abra uma revista, saia de casa, converse com pessoas no aqui e agora. Aproveite que não existe mais censura e toque de recolher e faça valer o esforço dos estudantes feridos e mortos que lutarm pela nossa liberdade até vencerem em 1985.
Rodrigo Sinckevicius Martins

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Papas na ponta da caneta - Rodrigo Sinckevicius Martins

Falar besteira em momentos inapropriados é quase uma características dos seres humanos, comprovada por jornalistas e escritores presentes em todo o mundo da comunicação em massa. Entre outros defeitos, esses digitadores frenéticos tendem a se preocupar mais com a quantidade de pessoas atingidas pelo que é escrito do que com a qualidade dos textos publicados.
A pressa em ser o primeiro a cobrir uma possível grande notícia, a facilidade com que elas podem se publicadas e a potencial falta de interesse gerada por um número absurdo de veículos da mídia esgotando os furos jornalísticos mesmo que estes aconteçam em toda parte do mundo resulta numa série de erros engraçados ou terrivelmente deprimentes.
Onde já se viu dizer que um cadáver permaneceu imóvel? Que um indivíduo foi assassinado enquanto dormia e acordou morto? Transformar nomes como “Carvalho” em termos chulos e trocar o nome de uma pessoa por outro que veio do mesmo livro (trocar o nome Gabriel por Rafael ou vice-e-versa, ambos anjos citados na bíblia)?
Não é a toa que o diploma de Jornalismo voltou a ser obrigatório para exercer a profissão. No ato automático de escrever o que se pensa, deixamos vazar toda a maldade encerrada em nosso subconsciente. Do ponto de vista de Freud, essa abordagem não é tão ruim, mas em se tratando de jornalismo, é imprescindível manter certo nível de imparcialidade e ética.
Se quer exemplos divertidos ou tristes, acesse o blog http://www.quejornalismoeesse.blogger.com.br/ para ter uma vaga idéia das besteiras que os profissionais da comunicação em massa são capazer de aprontar ao primeiro sinal de guarda baixa.

Erva Daninha - Rodrigo Sinckevicius Martins

Os padrões de uma sociedade, o modo como o coletivo pensa e aceita idéias, é fruto de uma bagagem histórica muito pesada transmitida de geração em geração e ocasionalmente descartada, deixando uma ou duas peças inúteis na beira da estrada. Na “grandiosa” e secular civilização ocidental, esses valores e padrões são resultado de uma vasta história de repressão a várias minorias, especialmente mulheres e os indivíduos de etnia afro.
Cor, gênero, idade, nacionalidade entre outros fatores que constam de uma simples carteira de identidade tornam-se fardos, carmas herdados de nossos pais, assim como o desprezo e o pouco caso para com os trabalhos realizados anteriormente por quem possuía tais características.
Como erva daninha, esses valores proliferaram-se pelas mentes presentes e participantes na sociedade até criar raízes nas instituições. Instalou-se então um sistema que beneficia principalmente os homens de etnia caucasiana (termo politicamente correto para denominas “brancos”)e com certo poder aquisitivo e exclui quase todos que não atendem a esse perfil. “Serviço de preto” e “trabalho de mulherzinha” foram tachadas como tarefas indignas de crédito e condenando socialmente os indivíduos que as executam.
Trata-se de uma imensa crueldade, mas os oprimidos crescem em meio a um ambiente onde esses valores são pregados com tamanha energia que acabam convencendo a si mesmos de que tudo o que lhes ensinam com base num ponto de vista preconceituoso é verdade. Apesar de nos últimos quarenta anos a mentalidade arcaica de que mulheres e negros estão em um patamar inferior ter sido combatida, ela ainda espalha seus ranços pelo governo, escolas, empresas e até no meio familiar.
No entanto, vale lembrar que as normas e padrões sociais são apenas uma forma de pessoas medíocres esconderem sua ignorância e sua pequenez atrás de daquilo que apelidamos de tradição. Os negros, povo valente e maltratado pelo descaso, são capazes de alcançar um nível de eficiência e competência maior do que o dos brancos, independente do que as evidências históricas possam sugerir. Nada realmente impede as mulheres de executar os conhecidos como “trabalho de macho” e fazê-los de uma maneira até melhor caso se dediquem e se empenhem.
Do mesmo modo, é um sinal de humildade e modernidade um homem se submetes às tarefas domésticas e rústicas por tanto tempo classificadas como serviços “afeminados” ou “de pião”
Artesãos, artistas, cozinheiros, mulheres de sucesso, negros intelectuais, os exemplos estão aí para mostrar que é possível podar a erva daninha dos padrões sociais.

Gostamos de música, Erudita

A música é uma parte essencial de todas as culturas, desde as primitivas até as mais recentes. Mas o que não percebemos é que as músicas compostas hoje estão interligadas com músicas de milhões de anos atrás.

Em épocas primitivas, o homem utilizou o som como um substituto da linguagem - aonde não chegavam as palavras podia chegar o som de um instrumento- Com o passar do tempo, o homem descobriu a possibilidade de o som influir no ânimo de quem o escuta. E num processo muito longo e complexo o som torna-se uma arte: a música.

Todas as técnicas de composição musical foram sendo cada vez mais desenvolvidas – mas há muitos vestígios de muitas técnicas de composição erudita nas composições atuais- as músicas atuais são um aprimoramento das de ontem.

As notas musicais permaneceram inalteradas – foram usadas para musicas eruditas e são usadas para todos os gêneros musicais contemporâneos - As características musicais também prevaleceram como exemplo: a melodia, harmonia e o timbre que sofreram distinções criando assim os gêneros musicais, porem ainda seguem os mesmos princípios.

Tudo isso não quer dizer que nos identificamos com o gênero musical erudito, pelo contrário cada um tem sua preferência. Mas que gostamos de musica é uma verdade universal. Então, se gostamos de música podemos inconscientemente gostar ou apreciar sua erudição.

Luiz Felipe

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Portas, fantasmas e árvores - Rodrigo Sinckevicius Martins

Já se sentiu em um corredor escuro com várias portas ao longo de paredes de pedra fria decoradas com um papel de parede muito brega? A única fonte de luz está em sua mão; uma lanterna, uma lamparina, uma vela, mas não é forte o bastante para enxergar o final do corredor. Está escuro demais. Imagine então placas de ouro, letras floreadas e gravuras chamativas atraindo sua atenção para a maioria das portas, mas você sente um cheiro muito ruim e escuta ruídos sinistros vazando de detrás de quase todas. Situação difícil, não acha?
Vislumbre então várias estátuas, bustos e pinturas adornando os pedaços da parede que sobram. Pensadores, catedráticos, magistrados, governantes, patriarcas, figuras de grande imponência e importância histórica. Elas fazem com que você se sinta com a palavra FRACASSADO tatuada na testa. São todos exaltados e retratados como se tratassem de imagens de imortais e poderosos deuses. Eu olho para eles e só vejo fantasmas. Das palavras inscritas em seus pedestais e molduras, repetidas como frases de efeito que marcaram as épocas em que viveram e os lugares por onde passaram, eu só entendo ecos roucos insinuando que são os Grandes Nomes e as Grandes Mentes – notem, não os Grandes Homens e Mulheres – que entram para a história.
Os verdadeiros deuses, seres divinos cujas forças se manifestavam através dos elementos da natureza e pelas facetas mais nobres da humanidade, foram mortos pelos homens cujos olhos de pedra e tinta nos encaram agora.
E a única fonte de luz disponível está nas suas mãos.
Em meio a toda essa opressão, temos vontade de desistir, andar em marcha ré, quebrar tudo o que estiver em nosso alcance ou nos largarmos em um canto e chorar até que o chão engula de uma vez.
Nesse estado de desespero é muito fácil se deixar levar por palavras sem pé nem cabeça, ser seduzido por qualquer babaquice e imitar figuras ridículas na tentativa de encontrar uma identidade para si. É fácil se iludir. Entramos em qualquer porta. Escancaramos uma por uma e ficamos deprimidos ao depararmos com apenas mais escuridão.
Mas a única luz no recinto está em suas mãos. E de mais ninguém.
Não podemos ver o final do corredor assim como não conseguimos prever nosso próprio futuro, mas as portas estão disponíveis em toda a extensão de todos os corredores atrás de cada porta, como um labirinto. É facílimo se perder num labirinto, porém o objetivo de uma construção desse tipo é justamente se achar. Nenhuma é igual à outra, mas todas elas, tanto a de papelão quanto a de ferro, estão abertas. Independente do que todos digam e do que está escrito nos pedestais do Olimpio de almas penadas, não existe tempo limite para escolher nenhuma delas contanto que se tenha coragem, sabedoria e amor para ir com a escolha até o fim, ainda mais porque ficar estagnado em um meio a portas e imagens não adianta coisa alguma e nada nos impede de dar meia volta e tomar um caminho diferente.
É de enlouquecer qualquer um.
Somos máquinas, por acaso? Somos mais como as árvores, que crescem sempre em direção ao céu e nos aprofundamos cada vez mais no solo em que nascemos. Ninguém pode dizer a uma árvore quanto tempo ela tem para atingir sua maturidade nem quando ela tem que florescer ou dar frutos e muito menos estimar o quanto ela vai viver. Ninguém tem esse controle.
Pode-ser apenas cuidar dela com carinho, ajudá-la a se sustentar até ter um tronco forte para se manter um pé e, mesmo que o tempo esteja seco e o solo fraco, nunca desistir dele. Precisamos de terra, de água e principalmente de sol para nos nutrir.
A luz que carregamos é um fragmento daquilo que nos foi presenteado pelo nosso sol, seja ele quem for. Com tanto que tenhamos os pés em contato com o chão e a luz sempre conosco, não há quem nos derrube. É necessário um grande trabalho para derrubar uma árvore que cresceu até atingir seu apogeu. Um fantasma, por exemplo, não conseguiria.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Alguns - Rodrigo Sinckevicius Martins

Alguns vivem para cuidar da terra,
Outros vivem para cruzar o céu,
Alguns lutam ou salvam vidas
E outros unem o homem de terno
E a mulher de véu.

Certas pessoas vivem para trabalhar,
Dando a esta tarefa prioridade máxima,
Os demais dão mais valor ao chão que pisam
E ao ar que tem para respirar.

Alguns vivem para pendurar uma rede
Entre dois coqueiros com vista para o mar,
Outros pintam telas, esculpem pedras e madeira,
Moldam barro com mãos talentosas e bem treinadas
E tocam melodias para tocar o espírito.
Alguns, por outro lado, vivem para fazer farras e festas
E músicas para se dançar.

O trabalho de alguns movimenta a mente,
O ofício de outros é suado e braçal.
Todos fazem parte de um todo
Porém nenhum deles é igual.

Nem todos nós somos pais,
Mas todos nós somos filhos.
Nascemos, é claro, sem saber do medo ou da morte.
Trens pequeninos
Que não vêem o fim dos trilhos.

Nem todos somos velhos,
Mas todos já fomos crianças
Nascemos já pré-dispostos a transformar cada experiência
Em uma preciosa lembrança.

rodrigosinc@hotmail.com

O Mar - Rodrigo Sinckevicius Martins

Nunca sabemos o que a maré vai nos trazer.
O pescador com fé no coração levanta todo dia de manhã e apronta seu barco, sobe até o alto mar e lança sua rede. Alguns dias ele é abençoado com uma pescaria produtiva, redes cheias e em outros só consegue trazer para terra o suficiente para sanar a fome de sua família. Há também os dias em que tudo o que consegue são queimaduras de sol. No entanto ele não falha nem um dia, não importando se está fazendo muito calor, se os ventos estão fortes ou se uma tempestade ameaça desabar. Ele tem fé de que estará em segurança e de que quanto mais se empenhar, mais peixes terá em sua rede.
O pescador sem essa mesma fé olha para o céu antes de colocar seu barco na água. Encara cada nuvem com desconfiança e olha torto sempre que uma onda aparenta avançar mais do que o normal. Não é todo dia que esse pescador sobe o mar. Em conseqüência, é muito improvável que sua rede fique cheia um dia.
A principal diferença entre esses dois tipos é que o primeiro pescador ama o que faz, ama pescar, ama navegar, ama colocar comida na mesa com seu trabalho árduo e portanto sempre terá algo para alimentar sua família.
É bem mais fácil ter fé quando amamos nosso trabalho. Ter fé que dizer, acima de tudo, ter esperança, confiar numa força maior mesmo nos momentos mais críticos e nos deixar levar por algo bem maior do que nós.
Dizem que hoje em dia faz muito sentido ter fé na ciência. É uma crença racional, lógica. Garantia de que nunca seremos desapontados.
Na minha opinião, uma grande baboseira.
Quem tem fé na ciência baseada na nossa percepção do mundo material não tem lá muito apreço pela vida. É o tipo de pescador que acredita que só terá um dia produtivo se for o tempo propício numa determinada época do ano com uma rede de material especial lançada em determinado local do oceano. É o filosofo que tenta desvendar os mistérios da vida presumindo que não haja nada de realmente misterioso, nada que a percepção humana não possa captar. É o estudioso empenhado em descobrir como cada faceta do universo funciona descartando a presença de qualquer influência metafísica.
Nem desconfiam estas pobres criaturas que nada no universo é linear, muito menos a própria vida. A vida não é como uma equação ou uma fórmula, previsível e intelectualizada. A vida é como o mar. Hora calmo, hora revolto, cheio de atividade, ecossistema sustentável e indomável. Alguns se deixam levar por ela, outros nadam contra a correnteza e também existem aqueles que permanecem estagnados no mesmo lugar.
Não temos idéia do que a maré trará no dia seguinte.
Eu tenho fé que ela traz sempre coisas boas para quem está disposto a subir em um barco e aproveitar o dia na água, pescando. Ela nunca traz tudo o que desejamos porque às vezes precisamos nos aventurar em águas mais distantes e profundas para conseguir aquilo de que nos julgamos merecedores, batalhando pelo que queremos para nós e para quem nos é importante.
O mar nos ama tanto que sempre nos trás coisas novas, sempre. Ele não nos dá tudo o que queremos, mas está lá esperando por nós para aproveitarmos um dia de pescaria. Ame o mar que te trouxe a pesca do dia, mas saiba que somente irá aproveitar o melhor dele quando tiver tecido uma boa rede e gastar algumas horas, ou dias, buscando o que realmente procura ou apenas colhendo o que a maré costuma trazer para os que tem fé.
Coisas assim só entende quem de verdade ama e tem fé no mar, e portanto tem amor pela vida e fé em si mesmo.

domingo, 11 de julho de 2010

Asas - Rodrigo Sinckevicius Martins.

Tive muitos sonhos estranhos, no entanto, poucos sonhos, tais como este, me fizeram levantar da cama à procura de papel e caneta. Eu tinha 14 anos. Basta dizer que não me foi uma fase muito boa.
Caminhava sozinho pela praia. Final de tarde, mal se via alma viva em um raio de muitos quilômetros. Vento, mar e o sol cada vez mais baixo, disputando espaço com a neblina daninha que se espalhava forrando o céu. Do jeito que eu sempre gostei.
Veio a mim um anjo.
Não era parecido nem um pouco com um anjo, mas eu sabia que era. Não era loiro dos olhos azuis, faltava-lhe o aro dourado por sobre a cabeça e nem asas possuía. Magro, curvado, seu rosto apresentava traços tanto indígenas quanto africanos, escondidos em meio a uma juba desgrenhada e de densa barba rajadas ambas de fios brancos. Maltrapilho, usava um palito surrado e uma camisa rota, calças de brim muito gastas e pés descalço sobre a areia.
O velho esfarrapado sorriu ao ver-me. Sorriso sutil, caloroso.
"Por que sofres, menino?"
Não me vem a mente à mente a razão pela qual lhe respondi:
"Medo, meu velho."
"Medo de que, meu menino? Não tens um lar te amparando e o colo de uma família para dar-te ternura e sossego?"
" Tenho. Mas e o resto?"
"Que resto?"
"Tudo. Vejo o mundo se acabar em mortes e crueldades. Vejo crianças trazendo a maldade do berço e pais afogando seus próprios filhos em infernos de mágoa e mutilação. Vejo os homens sofrendo e já sofro de antemão. Vejo a solidão, o desespero, o rancor, a culpa e o vazio de um universo que não ouve a minha revolta, sufocada em meio aos gritos dos desamparados. Que destino terei eu no universo se ele é tão é tão imenso?"
"Pois não es filho do universo? Fazes parte do cosmo, meu menino, das coisas grandes feitas pelas coisas pequeninas. Se es parte de algo que pode resistir a tudo então podes resistir também."
Minhas angústias não se deram por vencidas. Deixei cair os olhos, desanimado.
"Falta-me algo. Algo que deixei de fazer ou de aprender para sobreviver às estradas da vida e superar minhas próprias faltas."
O velho riu-se com espontaneidade.
"Precisas apenas de duas coisas: amor e sabedoria, duas asas robustas, e quando aprender a usá-las e puder se equilibrar nelas ao planar, irás alçar vôos altos, a cima da covardia e da ignorância dos homens."
" Pois é isso o que me falta."
" Besteira," asseverou-se meu anjo, "sabedoria só se adquire com experiências espinhosas ao longo de muitos anjos. Só quem viajou muito sabe quais as estradas que tem buracos! E não se pode dizer que te falta amor se desde o útero, seus próximos o amaram a fim de ensinar-lhe a amar também. Ora, tens bom coração e boa cabeça, não tenhas medo de ser feliz!"
Quedei-me indagado com a declaração do meu interlocutor.
"Não tenho medo de ser feliz!"
"Tens sim, só não o percebe. Tens medo de cair da corda bamba por estar embriagado pelo mel da euforia. Sossega a cabeça, rapaz, as faltas das quais se acusa e se pune só existem dentro dela. As leis do Céu e da Terra não se quebram quando trazes alegria e inocência n’alma. Exemplo eu que em vida nunca fui santo e anjo agora sou."
Trinquei os dentes, sufocando assim a resposta que não me vinha. Mau companheiro, entretanto, não se deu por satisfeito. Pousou a mão calosa em meu ombro e sorriu bondosamente ao me encarar.
"Es apenas uma criança, filho, dê tempo ao tempo para que a semente que plantas com seu estudo e trabalho vire árvore e dê frutos para alimentar seus irmãos e filhos," botou a outra mão no meu peito. "Exercite suas asas e tire o peso do mundo das suas costas para planar cada vez mais alto, porque a felicidade não está no repouso, e sim no trabalho, não é o troféu, mas a corrida que se escolhe pra esticar as pernas em solo firme e batalhando pelo pão justo de cada dia. Pois trate de correr, meu menino, que o mundo não espera por ninguém."
E estendendo suas asas, meu anjo partiu.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

2014, até que enfim! - Rodrigo Sinckevicius Martins.

Até que enfim o Brasil foi escolhido para sediar uma Copa Mundial. Talvez não o maior evento internacional que há, mas com certeza o que mais irá mobilizar investimentos para a infra-estrutura do nosso país, a Copa promete ser um pontapé para pôr projetos importantes, e há muito tempo adiados, em prática.
Os países que já a sediaram comprovam que a Copa tem um apelo gigantesco em matéria de atrair investimento para seus setores econômicos de forma direta e indireta, trazendo milhares de turistas estrangeiros para o país. É um forte estímulo para reformular o cartão postal de pobreza tão associado à paisagem brasileira.
No intento de causar uma excelente impressão no mundo, o país do futebol vai se empenhar não só em se tornar mais uma vez campeão, mas também em conquistar um lugar de destaque entre os países mais procurados por sua beleza e riqueza de sua cultura. É a nossa chance de mostrar como o Brasil é bonito, hospitaleiro e cheio de potencial.
Será um momento em que brasileiros das mais variadas classes sociais pararão para assistir aos jogos, inspirados por um sentimento poético de patriotismo só vivenciado em algumas guerras. São em eventos deste calibre e caráter que a nossa nação encontra-se mais unificada. Torcedores de diferentes cores e credos se juntarão para gritar, se emocionar, comemorar e até sofrer com os nossos atletas em campo.
É dever de todos os brasileiros vibrar pelo sucesso do Brasil na Copa do Mundo do ano de 2014, evento de extrema importância, quando nossa nação estará mais propícia a crescer em termos de economia, publicidade e nossa união como pátria


rodrigosinc@hotmail.com

Polêmicas nas convocações da Copa 2010 - Giovane Freitas


Faltam 23 dias para a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, e um tema que vem agitando os bastidores da competição é a convocação de cada país para a disputa do torneio. Nas seleções consideradas favoritas ao título não faltou polêmica nas escolhas dos jogadores.
Na Inglaterra, as principais ausências foram do meia David Beckham, lesionado, e do lateral Bridge, que disse não querer jogar ao lado de John Terry, pela polêmica causada meses atrás, quando a mulher de Bridge teria se envolvido com o zagueiro inglês.
Já na França, o corte de Benzema, atualmente no Real Madrid, surpreende por ser um dos nomes mais falados da seleção até aqui, mas seu fraco futebol apresentado nos últimos meses justifica a opção do treinador em deixá-lo de fora do mundial.
A Itália, atual campeã, a grande surpresa foi Francesco Totti estar de fora da convocação, talvez seu mal comportamento já noticiado diversas vezes dentro da própria seleção tenha pesado mais que o ótimo futebol apresentado em seu clube, a Roma, nesta última temporada.
A seleção alemã talvez seja a que menos surpreendeu na escolha de seus jogadores, a única ausência considerável foi a do meia Ballack, mas por motivos de lesão, e não por escolha do treinador.
Na Espanha, talvez a seleção mais badalada do momento, a ausência do brasileiro naturalizado espanhol Marcos Senna não ganhou tanto destaque talvez porque o futebol ofensivo apresentado pela Fúria (como é chamada a seleção) de certa forma ameniza esse tipo de ausência nos setor defensivo.
Dentro da seleção holandesa, a falta de Van Nisterooy causou impacto, isso pode significar uma seleção com um futebol mais criativo, com um ataque mais rápido e inteligente, e também pela grande fase que atravessam em seus clubes Robben e Sneijder. É uma grande candidata a sensação desse mundial.
Nossos "hermanos" argentinos, comandados por Diego Maradona chamam atenção pelo grande número de atacantes convocados. ficando com o rótulo de uma seleção bastante ofensiva. Porém não foram esquecidas as ausências do volante Cambiasso e do lateral Javier Zanetti, marcas registradas da seleção nos últimos anos.
Agora na nossa seleção, as maiores polêmicas giram em torno das ausências dos "meninos da Vila", principalmente Neymar e Paulo Henrique, o Ganso, que apresentam um futebol digno de serem titulares em qualquer seleção do Mundo, mas a política de coerência implantada por Dunga dentro do grupo de certa forma impossibilita a convocação de jogadores que nunca vestiram a camisa da amarelinha na seleção principal. Praticamente seis volantes foram chamados (Gilberto Silva, Josué, Felipe Melo, Kléberson, Elano e Ramires), e a grande pergunta feita é se não podia tirar um desses tantos volantes e arriscar levar o meia do peixe, que poderia ser uma boa alternativa para a nossa seleção. No caso do Neymar as opiniões são mais divididas, pois quando a justificativa é de que não foi convocado por falta de experiência com a camisa da seleção, o fato de Grafite ter jogado apenas três vezes coloca o treinador em contradição com seus próprios critérios. Mas a convocação já foi feita, e o que nos resta é torcer para que a seleção não perca aquele rótulo de "futebol arte" adquirido por jogadores de grande habilidade ao longo de nossa história e encante os olhos do mundo todo, mesmo sem os craques que ficaram de fora.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

#TwitterIsLife - por biih_8D (Beatriz)

Os taxistas usam um sistema interno de comunicação, onde dizem onde estão, o que estão fazendo. Aos quinze anos, Jack Dorsey ficava intrigado com isso. Ele sabia o que médicos, bombeiros, o que a polícia fazia, mas não sabia dos próprios amigos, o que estes estariam fazendo?

Foi este questionamento inicial que deu origem, em 1992, a idéia da criação de uma das ferramentas de comunicação mais popular do mundo: o Twitter.

O Twitter já era uma ferramenta interna de uma empresa. Mas Jack Dorsey, com 20 anos, resolveu expandir, pois se os profissionais se beneficiavam, por que não as outras pessoas? O projeto só se concretizou em 2006 quando convenceu Evam Willians, criador do Blogger, a apostar no desenvolvimento.

O site consiste em um lugar onde o usuário fala dos seus projetos, colocam links, divulgam notícias... "Não há regra. Uns falam sobre a vida ou postam links; outros ‘twittam’ das férias. É um serviço que está se definindo. A tecnologia é nova. Todos os dias as pessoas acham novas utilidades.", complementa Dorsey.

Tal afirmação foi confirmada em 2008, quando os EUA estavam elegendo um novo presidente. O então candidato Barak Obama usou a ferramenta como plataforma de sua campanha. Muitos perfis também usam para divulgar e propagar notícias. “O Twitter nos dá uma facilidade de acesso a informações sejam elas úteis ou não. Por exemplo, o terremoto do Haiti, antes de chegar aos jornais já estava no Twitter” diz a estudante e usuária assídua do site Betina Mineta (@b_am). Outra (in)utilidade do site é a de entretenimento. “Eu costumo me divertir com os “tweets” do perfil @tiodino. Mas no Twitter também tem pessoas que postam coisas que nos fazem refletir mais como, por exemplo, o @millorfernandes =)”, comenta a estudante Maressa Medeiros (@maressa_m). Alguns fãs também usam para ficar, de certa forma, mais próximos de seus ídolos e estes por sua vez também aproveitam os benefícios "Eu uso o Twitter tanto como ferramenta pessoal quanto profissional" diz Henrique (@kikisalviato) da banda Uk (@ukoficial).

Porém, há controversas. “Twitter é inútil, uma vez que, apenas serve como concorrência ao msn, retardando a conversa em etapas, noticias desinteressantes que se resumem a ‘Sem nada o que dizer’ ‘tédio’ em vez de ir-se direto ao assunto”. Comenta o estudante Paulo Henrique.


Sendo a favor ou contra, é inegável a ascensão que o site teve nos últimos anos. O que antes era apenas uma ferramenta “underground”, hoje se tornou um dos sites populares do mundo. Então, “What’s happening?


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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Uma gota d'água - Rodrigo Sinckevicius Martins

Num final de tarde, de um dia reservado a vagabundagem, estava imerso em dúvidas existenciais e me veio um raciocínio um tanto quanto filosófico e simplesmente “pirante”. Tinha que levar isso ao papel. QUEM EU SOU? O QUE EU SOU? Ora, a resposta é muito simples! Eu sou um amontoado de células eucariontes que respiram, sintetizam elementos, digerem materiais orgânicos, se dividem e se multiplicam, comandadas por filamentos de ácido desoxirribonucléico longos e sem vida, que por sua vez são pilhas de elementos químicos compostos por um monte de átomos estáveis que também compõe todas as outras coisas; pedras, árvores, água, ferro, concreto, você, sua casa, seu animal de estimação, o ar que você respira, a comida que você ingere, seus pais, seus amigos, seu namorado, o papel onde esta linha de pensamento está escrita, o computador em que a mesma foi publicada, o chão que pisamos, os ácaros do seu travesseiro... enfim, tudo.

Mas além do que existe aqui nesse planetinha de apenas alguns bilhões de quilômetros de extensão, esses átomos constituem outras estruturas de material rochoso, gasoso, líquido, nebuloso, ou simplesmente morto e sem atividade. Existem outros pontos no universo nos quais a nossa Terrinha não passa de uma partícula insignificante em meio a um espaço imensuravelmente grande, dançante e contínuo, governado pelas soberanas leis da Física, Química, Metafísica e da Matemática, hora quente hora frio, em estado de constante expansão e evolução. Apesar de existir coisas muito mais indagantes lá fora, geradas por causas ainda desconhecidas, existe um pontinho opaco e vivo girando em um canto da periferia da via láctea; meu lugar preferido: aqui.

Os mesmos átomos que constroem bilhões de estrelas maravilhosas que rodopiam nos lugares mais badalados do cosmo são os mesmos átomos que se empilham e se aglutinam nesse 1,90m e 90kg de “eu”, este ser pensante e filosófico, amante de boa música e boa comida, governado também pelas leis da Física e ocasionalmente pelas de regras da Gramática e Ortografia, uma máquina de reações químicas, consumidora regular de oxigênio e de calorias. Coisas de ser humano. Na verdade, coisas de ser vivo! Por que será que num universo tão pulsante e vibrante, nosso mundo miúdo e monótono teria alguma importância? Porque ele existe! Perto de um oceano, uma gotícula de água borrifada no ar é algo insignificante e desprezível. Mas de um ponto de vista diferente, menos glorioso, uma gotícula de água é um oceano.

É feito de moléculas de H2O, pululando de microorganismos e constituído por átomos como todo o resto. Não, não estou falando da Terra. Estou falando de nós, seres humanos de uma simplicidade complexa que fascina filósofos e psicanalistas há séculos. Nós cremos em Deus, Paraíso, Inferno, milagres, espíritos, anjos, demônios, Paz, amor, felicidade, altruísmo, esperanças, promessas, fidelidade, amizade pós-divórcio, políticos honestos entre outras esquisitices. Mas acreditamos. E sonhamos.

E fazemos desses sonhos realidades. De que outro jeito o ser humano aprenderia a voar, viajar até a lua ou emergir 20.000 léguas submarinas? Mas também somos uma praga que ameaça nosso planeta, nosso ecossistema, nosso lar, e até nossa própria existência. Eu sou isso. Sou um ser humano fruto de bilhões de anos de evolução e adaptação na mão da natureza que a civilização contemporânea tenta obstinadamente liquidar. Só isso, um ser humano. Um oceano dentro de uma gota d’água.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Educação começa em casa - Rodrigo Sinckevicius Martins

Essa cena é muito comum: reunião de pais e mestres, um dos responsáveis vem seguido de perto pelo seu tutelado que age como se nada tivesse a ver com a situação, mas o pai aparenta estar reprimindo uma fúria colossal, ele encontra o professor de seu interesse e esfrega um boletim cheio de notas vermelhas na cara do mestre, esbravejando: “Que diabos significa isso!” . Analisemos a situação; se o pai estava alterado por causa das notas do filho, por que não tirou satisfação com o aluno ao invés de brigar com os professores das matérias em déficit.

Este tipo de ocorrência é fruto de algo que tem acometido a educação no Brasil, especialmente em escolas particulares: os pais não acreditam mais que a educação seja problema do aluno e da família e sim do professor pago para lecionar o conteúdo de cada matéria.

Tal mudança de valores é sintoma da falta de preocupação com o aprendizado dos jovens e a impaciência dos tutores com este assunto em questão. O que eles querem mesmo são notas altas sem trabalho para serem recuperadas, e quando não é bem isso o que conseguem, a culpa cai sobre o profissional da educação que procura seguir uma metodologia justa para fechar as médias de seus alunos.

Até pouco tempo atrás, a responsabilidade pelas notas baixas era direcionada ao estudante que as tirou. No entanto, com a “privatização do ensino”, o fortalecimento dos colégios privados, a função do mestre foi rebaixada de acadêmico encarregado de conceder a luz do saber para seus aprendizes para um tagarela que no final do bimestre apenas faz vista grossa quanto aos seus “clientes” menos dedicados. Ou pelo menos é isso o que os pais que pagam as mensalidades.

Uma pena, mas é verdade. O importante agora é passar de ano e começar a vida profissional o mais rápido possível e dane-se todo o saber e conhecimento. Esquecem-se, porém, os infelizes que pensam desta forma que o saber prático e ético são muito mais preciosos do que um boletim todo azul e também fundamentais para uma pessoa que inicia sua vida adulta. Por falar em saber ético, o que os pais estão ensinando aos seus filhos ao insinuar que os professores, figuras de autoridade a serem respeitados pelos seus alunos no mínimo de igual para igual, são empregados remunerados para lhes servir? Não é de se admirar que hajam tantos filhinhos de papai fazendo algazarra em sala de aula e resultando em verdadeiros vagabundos sem estrutura para crescer na carreira que seja de sua preferência.

Note que uma vida sem ter sido aproveitada não é culpa do professor que dá fundamentos para aproveitá-la e sim do aluno que a vive e não tem condições de fazê-lo porque nunca se preocupou com seu futuro, seguindo o exemplo de seus pais que não souberam onde começa a educação.

rodrigosinc@hotmail.com

Homens e livros - Rodrigo Sinckevicius Martins

O tempo é implacável. Destrói cidades, estraga alimentos, leva-nos à sepultura e força nossos entes queridos e descendentes a nos esquecer. Apenas o que está escrito tem o dom de sobreviver ao tempo e espalhar-se para outras partes do mundo, ser traduzido para diferentes idiomas e transmitir o conhecimento de épocas já passadas. Sem a escrita, não haveria história e nós, pobres mortais de memória curta, não teríamos noção dos eventos ocorridos no passado. Os documentos históricos têm essa função, contudo, os estudiosos que produzem e analisam esses textos muitas vezes focam tamanha atenção nos fatores políticos e econômicos que o povo, verdadeiro alicerce na edificação da história da civilização, é ofuscado pela grandeza dos acontecimentos mais marcantes.

Enquanto os textos acadêmicos exploram os fatos em torno de reis, guerras e decretos, a literatura tem o papel crucial de mostrar a história da perspectiva do povo. Do povo e para o povo. Vale lembrar que a literatura não é algo exclusivo aos intelectuais nem de uma pequena elite, como era antigamente, praticamente qualquer pessoa pode ter acesso a ela contanto que tenha disposição e mente aberta para entender o que se passava com as sociedades que já não existem mais. É realmente uma pena que tantos analfabetos e indivíduos de classes sociais menos favorecidas sejam privados deste saber por questões relacionadas à falta de educação no Brasil e no mundo, e a pobreza material, muitas vezes, a principal causa da “pobreza intelectual”.
Não só se pode aprender como o povo vivia, mas também como ele pensava.

Livros literários são escritos a partir do ponto de vista de uma determinada pessoa com uma formação e uma realidade diferente da nossa, senão completamente estranha, que pode nos revelar uma visão de mundo extremamente rica e valiosa. Dependendo do autor, a obra publicada pode vir a oferecer talvez até uma descrição mais detalhada da ideologia de cada época, sempre, é claro, contando com uma opinião parcial que busca favorecer sempre determinado ideal ou uma instituição em especial.

Sendo que a literatura mostrou-se eficaz para armazenar e oferecer registros históricos sob a perspectiva de seus autores, até os estudiosos lançaram-se sobre os livros para buscar nas entrelinhas os fragmentos de verdade e os contextos históricos em que as histórias se passam. Mas não são apenas os estudiosos que tem a aprender com os livros de figuras como Lima Barreto, Machado de Assis e Fernando Pessoa. Todos, especialmente os jovens, podem encontrar ideias interessantes e sabedoria popular em um bloco de papel impresso e encapado aparentemente sem importância que se encontra em qualquer biblioteca e sebo e usado de vez em quando como calço para pernas de mesa e enfeite de estante.

Apesar de haver livros considerados geniais que na verdade são muito chatos, todos tem um valor enorme para a sociedade porque são os resquícios de sua própria história, diários de sua identidade já passada e ensinamentos transmitidos dos nossos antepassados até nós. Em consideração ao valor inestimável da arte que é a literatura, centros culturais, museus e escolas organizam eventos, feiras e saraus em homenagem aos autores que fizeram movimentos e marcaram épocas.É na literatura que encontramos as bases para edificar nosso futuro, como já dizia Monteiro Lobato: “Um país se faz com homens e livros”.

rodrigosinc@hotmail.com

Sob o mesmo céu - Rodrigo Sinckevicius Martins

Os mesmos olhos têm cores diferentes e lêem livros diferentes,
Na norma culta ou ao gosto popular.
As mesmas mãos têm calos e feridas ou podem ser lisas e macias,
Mas são ferramentas do mesmo ofício.

Independente da raça e da crença,
Vivemos sob o mesmo céu,
Bebemos a mesma água
E respiramos o mesmo ar.
Caminhamos sobre o mesmo chão,
A mesma terra fértil
E admiramos os mesmos astros e estrelas.

Apesar da cor da minha pele ser diferente da do meu irmão,
O sangue em nossas veias é igualmente vermelho.
Apesar das diferentes doutrinas, cultos e votos que seguimos,
Rezamos com a mesma fé e esperança.
Somos todos homens e mulheres, indefinidos e indecisos,
Mas independente de quem gostamos, fazemos isso com o mesmo amor.
Trabalhamos todos para colher os frutos sagrados do nosso suor
E dormimos o mesmo sono para recuperar nossa força e lucidez.

Cada cultura tem a sua tradição,
Cada família tem sua herança,
Cada nação tem sua história,
Contudo ocupamos o mesmo espaço, o mesmo universo,
E vivemos o mesmo tempo.

Todos nascemos da fusão de dois seres
Que por instinto amamos muito antes de sermos gerados
E ao morrermos, seremos recolhidos pela mesma terra
Que alimentou e deu abrigo a todos nós,
Porque vivemos sob o mesmo céu,
Bebemos da mesma água
E respiramos o mesmo ar.






rodrigosinc@hotmail.com

Asas Frágeis - Rodrigo Sinckevicius Martins


A política do “pão-e-circo” foi criada na época do Império romano para mascarar problemas sócio-econômicos com carnificina e diversão. Apesar de circo ser um negócio bem raro nos dias de hoje, essa atitude ainda existe nos meios de comunicação, cada vez mais acessíveis ao público. O problema é quando essa prática cai nas mãos sádicas e irresponsáveis de estudantes com criatividade para difamar e maltratar seus colegas de convívio comum. O nome disso é Bullying, é crime e, infelizmente, também é moda.

Existem vários casos comprovando que o ser humano, desde crianças, tem um talento bizarro para humilhar e tratar os demais com crueldade e de adolescentes então nem se fala. Os praticantes de Bullying sustentam uma atitude de superioridade a partir da inferiorização de suas vítimas, menos favorecidas financeira, popular e, às vezes, até intelectualmente. É uma forma lamentável e medíocre de se autovalorizar e descarregar as tensões diárias no lombo daqueles que não reagem por se sentirem realmente em um patamar inferior.

A internet, recentemente, tornou-se a arma mais versátil dos agressores, além de fornecer anonimato, oferece um leque de opções que servem como ferramentas para os praticantes de Bullying, ainda assim muitos preferem o uso da agressão tradicional, física e verbal, menos discreta, porém mais impactante ao atingir diretamente suas vítimas.

Tornou-se tarefa das escolas e faculdades fiscalizar e intervir contra esse tipo de atitude, contudo, todos devemos estar conscientes de que Bullying é errado, devendo ser combatido sobre tudo pelos agredidos, reagindo contra as provocações, respondendo na lata ou procurando ignorar o assédio dos agressores ou recorrendo ás autoridades responsáveis para cortar esse mal pela raiz. O poder do Bullying é sustentado pelo silêncio dos agredidos e é imprescindível quebrar as “asinhas” dos agressores, que, ao contrário do que aparentam, são de papelão.

rodrigosinc@hotmail.com

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Prêmio TopBlog e PATROCINADORES

Olá, leitores do blog, galera do PJ em geral!

Precisamos do apoio geral para que o folheto desse primeiro semestre de 2010 seja um sucesso. Em primeiro lugar, informamos que o blog foi anonimamente indicado para o Prêmio TopBlog 2010! Pelo visto, as votações ainda não começaram, mas um dos critérios é a frequência e quantidade de acessos, então... Divulguem, visitem, comentem, e, assim que possível, VOTEM VOTEM VOTEM!!

Aqui: http://www.topblog.com.br

Além disso, começamos nossa campanha por patrocínio para o lançamento do folheto, e, futuramente, da revista Pensamento Jovem em 2010. Se você pode ajudar, ou conhece alguém que pode, entre em contato conosco pelo e-mail oficinacmr@gmail.com, que enviaremos a proposta oficial do folheto! Retire seu exemplar da Revista Pensamento Jovem 2009 na APM, e veja com seus próprios olhos porque pode ser interessante ajudar!

Confiram ainda, nessa semana, novas publicações da oficina, sobre arte, literatura, cultura e... CRÔNICAS!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Corinthians bate recorde de arrecadação, mas deixa de ganhar mais de R$ 12 milhões - Giovane Freitas

A decepção após a eliminação na Taça Libertadores era clara nos rostos Alvinegros na noite desta quarta feira (5/5/2010). Já no dia seguinte, a diretoria do Corinthians começa a calcular o prejuízo por ter deixado a competição sul-americana logo nas oitavas de final. Apesar de bater o recorde de arrecadação deste ano no duelo frente ao Flamengo, no Pacaembu, o Timão deixará de rechear seus cofres com mais de R$ 12 milhões.

Com o aumento no preço dos ingressos para as oitavas (o mais caro foi de R$ 500 para R$ 650), o clube obteve uma arrecadação bruta de R$ 2.949.424,00 (público de 35.561 pagantes), a maior da temporada, superando os R$ 2.181.742,00 (31.035 pagantes) da estréia na Libertadores, diante do Racing-URU.

O lucro, porém, para por aí. Com a eliminação, a diretoria alvinegra deixará de ganhar quase R$ 9 milhões somente com a bilheteria dos três jogos que faria com mando de jogo caso chegasse à decisão do torneio. Além disso, a Conmebol paga quase R$ 400 mil aos clubes que forem avançando na competição. O Timão não ganhará também R$ 3 milhões previstos no contrato com seu maior patrocinador (Hypermarcas) como prêmio pelo título.

Outro problema pode ser o ânimo da torcida para os próximos jogos da equipe. No domingo, o Corinthians começa sua caminhada no Campeonato Brasileiro, contra o Atlético-PR, às 16h, no Pacaembu, e a presença do público deve ser apenas regular. A competição é vista como obrigação pela Fiel, principalmente depois das duas eliminações no primeiro semestre (Campeonato Paulista e Taça Libertadores da América).

O dinheiro do sucesso na competição sul-americana era considerado muito importante para a direção do clube paulista. Desde o início do ano, o presidente Andrés Sanches afirma que gastou demais para montagem do elenco, apostando no título da competição. Segundo ele, saíram dos cofres mais de R$ 36 milhões só com a vinda de jogadores. Os salários também são altos. A folha chega a R$ 7 milhões mensais.

Para combater o prejuízo, o Corinthians não esconde que deve vender alguns jogadores na abertura do mercado europeu no meio do ano. Dentinho, em grande fase, é a maior promessa de lucro. Elias e Jucilei também estão cotados.

Fonte: GloboEsporte.com

“Literalize-se!” - por Beatriz Oliveira

As características da sociedade muda conforme o tempo vai passando. Estas características são expressas pela arte, os registros históricos e principalmente na literatura. Esta por sua vez, tem notificado passo a passo os inúmeros movimentos que transformaram a sociedade através de poesias, prosas, dramas ou romances.

Então, ao lermos algo de conteúdo literário, estamos aprendendo mais sobre a sociedade da época na qual a obra foi escrita de uma forma mais interativa do que um texto de um livro de história, por exemplo.

Quando estamos cursando o Ensino Médio, a proposta de leitura literária é mais aprofundada e focada nos grandes autores e, claro, vestibular. Para os 2ºs anos da Etec Parque da Juventude, neste primeiro bimestre, foi proposta a leitura de “Senhora” do romancista José de Alencar. Todas as classes tiveram de criar algo para expor no Sarau Literário de 2010 (que ocorreu no dia 12 de abril) sobre a obra de Alencar.

Já os alunos do 3º ano, fizeram uma abordagem mais ampla. O 3ºA falou da ditadura militar, “B” falou de quadrinhos, “C” vanguarda literária, “D” Fernando Pessoa e o “E” criou uma escola literária. Os calouros do 1º ano expuseram suas réplicas da Literatura de Cordel.

Conclui-se que, a literatura, além de informar e entreter, insere cultura na população e o mais importante: amplia e diversifica nossa visão em relação à nossa sociedade. “Literalize-se!”

The Yellow Submarine? No, the yellow mug! - por Beatriz Oliveira

Se a mídia se resumisse no Twitter, um “TT” (trendig topcs) constante em todo o mundo seria o tema da sustentabilidade.
Esta palavra existe porque, após a 2ª Guerra Mundial, o plano para o mundo sair da crise na qual se encontrava foi bem simples: produzir mais, consumir mais. A sociedade capitalista na qual vivemos reproduziu com perfeição a idéia.

As pessoas começaram a consumir e descartar coisas em um ritmo acelerado. Estes dejetos foram sendo rejeitados em lugares inapropriados; poluindo o solo, os lençóis freáticos e liberando gases nocivos.

Materiais como vidro, alumínio, plástico entre outros podem levar de 1 ano (ponta de cigarro) a até 4 mil anos (vidro). QUATRO MIL ANOS!

Com este conhecimento, tentou-se popularizar a idéia do “pensamento verde”, ou mais conhecido como sustentabilidade. Pensar que mais de 50% do que chamamos de lixo pode ser reutilizado ou reciclado, ou que no Brasil são produzidas cerca de 80.000 toneladas de lixo por dia, sendo que apenas 42.000 toneladas são coletadas. O resto? Podemos encontrar em terrenos baldios, rios, são enterrados queimados...

Ao contrário do que muitos pensam dá pra fazer alguma coisa. É importante, necessário fazer alguma coisa. Com este pensamento a APM deu aos alunos canequinhas reutilizáveis. Assim os alunos e funcionários da EtecPj além de contribuírem com o ambiente deixando de usar um copo plástico por uma única vez (e este demoraria cerca de 450 anos para se decompor na natureza) economizam dinheiro na compra dos mesmos e ainda ganham uma super, hiper, ultra yellow mug , onde além do óbvio (beber água) você pode personalizar com figurinhas, mensagem dos amiguinhos ou o que mais sua imaginação permitir! Seja criativo, ecológico, sustentável – o mundo agradece.

Independência ou Morte - por Beatriz Oliveira

Antes dos portugueses chegarem à terra que mais tarde viria a se chamar Brasil, ela era habitada por índios. Estes índios se comunicavam apenas por sua típica linguagem falada e/ou corporal. Mas os portugueses vieram e impuseram uma nova forma de falar, se vestir... Impuseram uma nova cultura. Nesta cultura havia algo extremamente diferente para eles: a escrita.

Vários anos se passaram e a sociedade mudou, mas o poder estava detido nas mãos dos descendentes daqueles que um dia invadiram a nossa terra. Foi a época no qual o governo passou de monarquia à república onde, teoricamente, o povo brasileiro teria o direito de escolher seus representantes.

Porém nem todos tinham tal privilégio. Dentre outros requisitos, um dos mais importantes era a escrita! A pessoa que não sabia escrever e, conseqüentemente, ler era normalmente o escravo. Saber ou não escrever tornou-se mais uma razão para divisão social.

Hoje a falta de alfabetização é algo que o governo tenta combater, pois uma pessoa que não domina a escrita é excluída da sociedade já que esta se tornou determinante para a convivência, a comunicação, a liberdade. A escrita não proporciona apenas a integração na sociedade, mas também a independência do indivíduo. Viva a independência!

Escrevendo um Mundo - Rodrigo Sinckevicius Martins

Infelizmente, no Brasil, o hábito de escrever tem sido esquecido e desvalorizado, tanto nos estudos quanto no cotidiano. A influência da televisão e da internet tem enterrado cada vez mais a importância e o bom gosto por um belo papel impresso.

No entanto, não se pode negar que esse valor existe e é grande a ponto de resistir á toda a negligência da grande população.

Livros, revistas, jornais dos mais variados tipos são tesouros para a intelectualidade, só é uma pena que alunos e estudantes apreciem-nos somente por obrigação. Os livros escolhidos por professores, por exemplo, às vezes pelo próprio sentimento de dever, desestimulam o gosto dos jovens pela leitura, criando assim uma geração de analfabetos assumidos e cegando seus olhos aos prazeres da escrita e da leitura.

Além de ser um meio de expor informações, a escrita expõe pensamentos, opiniões e realidades diferentes, denunciando problemas graves referentes à sociedade e servindo como válvula de escape para emoções fortes, revoltas e intimidades, tornando-se uma terapia para quem pratica esse hábito.

Por vezes, é muito mais fácil atingir um grande público, sem recorrer às grandes e seletas emissoras, através da escrita utilizando-se da vasta gama de revistas, jornais e até blogs on-line relacionados ao assunto escolhido.

Quem escreve tem em mãos a chave para se comunicar com o mundo, extravasar sentimentos sem recorrer a meios violentos e encontrar pessoas afins onde menos se espera, unificando pensamentos.

O problema maior é encontrar público para tais textos. Porém, gente interessada em textos escritos é o que não falta, as listas de mais vendidos são provas disso. Existem pessoas que não sói possuem a habilidade de escrever e o gosto pela leitura como também a necessidade de ambas as coisas e outros tantos milhões de indivíduos apaixonados pelas idéias e emoções transmitidas pelos autores com o talento de imprimir no papel, através de suas obras, tudo aquilo que pensam e sentem.

Chega a ser um alívio, pois o hábito de ler é sempre interpretado como sinal de inteligência, prova de que a humanidade ainda tem potencial para se educar e produzir idéias valiosas e, a partir dos cultos às letras, escrever um mundo mais inteligente.