terça-feira, 24 de agosto de 2010

Erva Daninha - Rodrigo Sinckevicius Martins

Os padrões de uma sociedade, o modo como o coletivo pensa e aceita idéias, é fruto de uma bagagem histórica muito pesada transmitida de geração em geração e ocasionalmente descartada, deixando uma ou duas peças inúteis na beira da estrada. Na “grandiosa” e secular civilização ocidental, esses valores e padrões são resultado de uma vasta história de repressão a várias minorias, especialmente mulheres e os indivíduos de etnia afro.
Cor, gênero, idade, nacionalidade entre outros fatores que constam de uma simples carteira de identidade tornam-se fardos, carmas herdados de nossos pais, assim como o desprezo e o pouco caso para com os trabalhos realizados anteriormente por quem possuía tais características.
Como erva daninha, esses valores proliferaram-se pelas mentes presentes e participantes na sociedade até criar raízes nas instituições. Instalou-se então um sistema que beneficia principalmente os homens de etnia caucasiana (termo politicamente correto para denominas “brancos”)e com certo poder aquisitivo e exclui quase todos que não atendem a esse perfil. “Serviço de preto” e “trabalho de mulherzinha” foram tachadas como tarefas indignas de crédito e condenando socialmente os indivíduos que as executam.
Trata-se de uma imensa crueldade, mas os oprimidos crescem em meio a um ambiente onde esses valores são pregados com tamanha energia que acabam convencendo a si mesmos de que tudo o que lhes ensinam com base num ponto de vista preconceituoso é verdade. Apesar de nos últimos quarenta anos a mentalidade arcaica de que mulheres e negros estão em um patamar inferior ter sido combatida, ela ainda espalha seus ranços pelo governo, escolas, empresas e até no meio familiar.
No entanto, vale lembrar que as normas e padrões sociais são apenas uma forma de pessoas medíocres esconderem sua ignorância e sua pequenez atrás de daquilo que apelidamos de tradição. Os negros, povo valente e maltratado pelo descaso, são capazes de alcançar um nível de eficiência e competência maior do que o dos brancos, independente do que as evidências históricas possam sugerir. Nada realmente impede as mulheres de executar os conhecidos como “trabalho de macho” e fazê-los de uma maneira até melhor caso se dediquem e se empenhem.
Do mesmo modo, é um sinal de humildade e modernidade um homem se submetes às tarefas domésticas e rústicas por tanto tempo classificadas como serviços “afeminados” ou “de pião”
Artesãos, artistas, cozinheiros, mulheres de sucesso, negros intelectuais, os exemplos estão aí para mostrar que é possível podar a erva daninha dos padrões sociais.

0 comentários:

Postar um comentário