terça-feira, 24 de agosto de 2010

Papas na ponta da caneta - Rodrigo Sinckevicius Martins

Falar besteira em momentos inapropriados é quase uma características dos seres humanos, comprovada por jornalistas e escritores presentes em todo o mundo da comunicação em massa. Entre outros defeitos, esses digitadores frenéticos tendem a se preocupar mais com a quantidade de pessoas atingidas pelo que é escrito do que com a qualidade dos textos publicados.
A pressa em ser o primeiro a cobrir uma possível grande notícia, a facilidade com que elas podem se publicadas e a potencial falta de interesse gerada por um número absurdo de veículos da mídia esgotando os furos jornalísticos mesmo que estes aconteçam em toda parte do mundo resulta numa série de erros engraçados ou terrivelmente deprimentes.
Onde já se viu dizer que um cadáver permaneceu imóvel? Que um indivíduo foi assassinado enquanto dormia e acordou morto? Transformar nomes como “Carvalho” em termos chulos e trocar o nome de uma pessoa por outro que veio do mesmo livro (trocar o nome Gabriel por Rafael ou vice-e-versa, ambos anjos citados na bíblia)?
Não é a toa que o diploma de Jornalismo voltou a ser obrigatório para exercer a profissão. No ato automático de escrever o que se pensa, deixamos vazar toda a maldade encerrada em nosso subconsciente. Do ponto de vista de Freud, essa abordagem não é tão ruim, mas em se tratando de jornalismo, é imprescindível manter certo nível de imparcialidade e ética.
Se quer exemplos divertidos ou tristes, acesse o blog http://www.quejornalismoeesse.blogger.com.br/ para ter uma vaga idéia das besteiras que os profissionais da comunicação em massa são capazer de aprontar ao primeiro sinal de guarda baixa.

Erva Daninha - Rodrigo Sinckevicius Martins

Os padrões de uma sociedade, o modo como o coletivo pensa e aceita idéias, é fruto de uma bagagem histórica muito pesada transmitida de geração em geração e ocasionalmente descartada, deixando uma ou duas peças inúteis na beira da estrada. Na “grandiosa” e secular civilização ocidental, esses valores e padrões são resultado de uma vasta história de repressão a várias minorias, especialmente mulheres e os indivíduos de etnia afro.
Cor, gênero, idade, nacionalidade entre outros fatores que constam de uma simples carteira de identidade tornam-se fardos, carmas herdados de nossos pais, assim como o desprezo e o pouco caso para com os trabalhos realizados anteriormente por quem possuía tais características.
Como erva daninha, esses valores proliferaram-se pelas mentes presentes e participantes na sociedade até criar raízes nas instituições. Instalou-se então um sistema que beneficia principalmente os homens de etnia caucasiana (termo politicamente correto para denominas “brancos”)e com certo poder aquisitivo e exclui quase todos que não atendem a esse perfil. “Serviço de preto” e “trabalho de mulherzinha” foram tachadas como tarefas indignas de crédito e condenando socialmente os indivíduos que as executam.
Trata-se de uma imensa crueldade, mas os oprimidos crescem em meio a um ambiente onde esses valores são pregados com tamanha energia que acabam convencendo a si mesmos de que tudo o que lhes ensinam com base num ponto de vista preconceituoso é verdade. Apesar de nos últimos quarenta anos a mentalidade arcaica de que mulheres e negros estão em um patamar inferior ter sido combatida, ela ainda espalha seus ranços pelo governo, escolas, empresas e até no meio familiar.
No entanto, vale lembrar que as normas e padrões sociais são apenas uma forma de pessoas medíocres esconderem sua ignorância e sua pequenez atrás de daquilo que apelidamos de tradição. Os negros, povo valente e maltratado pelo descaso, são capazes de alcançar um nível de eficiência e competência maior do que o dos brancos, independente do que as evidências históricas possam sugerir. Nada realmente impede as mulheres de executar os conhecidos como “trabalho de macho” e fazê-los de uma maneira até melhor caso se dediquem e se empenhem.
Do mesmo modo, é um sinal de humildade e modernidade um homem se submetes às tarefas domésticas e rústicas por tanto tempo classificadas como serviços “afeminados” ou “de pião”
Artesãos, artistas, cozinheiros, mulheres de sucesso, negros intelectuais, os exemplos estão aí para mostrar que é possível podar a erva daninha dos padrões sociais.

Gostamos de música, Erudita

A música é uma parte essencial de todas as culturas, desde as primitivas até as mais recentes. Mas o que não percebemos é que as músicas compostas hoje estão interligadas com músicas de milhões de anos atrás.

Em épocas primitivas, o homem utilizou o som como um substituto da linguagem - aonde não chegavam as palavras podia chegar o som de um instrumento- Com o passar do tempo, o homem descobriu a possibilidade de o som influir no ânimo de quem o escuta. E num processo muito longo e complexo o som torna-se uma arte: a música.

Todas as técnicas de composição musical foram sendo cada vez mais desenvolvidas – mas há muitos vestígios de muitas técnicas de composição erudita nas composições atuais- as músicas atuais são um aprimoramento das de ontem.

As notas musicais permaneceram inalteradas – foram usadas para musicas eruditas e são usadas para todos os gêneros musicais contemporâneos - As características musicais também prevaleceram como exemplo: a melodia, harmonia e o timbre que sofreram distinções criando assim os gêneros musicais, porem ainda seguem os mesmos princípios.

Tudo isso não quer dizer que nos identificamos com o gênero musical erudito, pelo contrário cada um tem sua preferência. Mas que gostamos de musica é uma verdade universal. Então, se gostamos de música podemos inconscientemente gostar ou apreciar sua erudição.

Luiz Felipe

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Portas, fantasmas e árvores - Rodrigo Sinckevicius Martins

Já se sentiu em um corredor escuro com várias portas ao longo de paredes de pedra fria decoradas com um papel de parede muito brega? A única fonte de luz está em sua mão; uma lanterna, uma lamparina, uma vela, mas não é forte o bastante para enxergar o final do corredor. Está escuro demais. Imagine então placas de ouro, letras floreadas e gravuras chamativas atraindo sua atenção para a maioria das portas, mas você sente um cheiro muito ruim e escuta ruídos sinistros vazando de detrás de quase todas. Situação difícil, não acha?
Vislumbre então várias estátuas, bustos e pinturas adornando os pedaços da parede que sobram. Pensadores, catedráticos, magistrados, governantes, patriarcas, figuras de grande imponência e importância histórica. Elas fazem com que você se sinta com a palavra FRACASSADO tatuada na testa. São todos exaltados e retratados como se tratassem de imagens de imortais e poderosos deuses. Eu olho para eles e só vejo fantasmas. Das palavras inscritas em seus pedestais e molduras, repetidas como frases de efeito que marcaram as épocas em que viveram e os lugares por onde passaram, eu só entendo ecos roucos insinuando que são os Grandes Nomes e as Grandes Mentes – notem, não os Grandes Homens e Mulheres – que entram para a história.
Os verdadeiros deuses, seres divinos cujas forças se manifestavam através dos elementos da natureza e pelas facetas mais nobres da humanidade, foram mortos pelos homens cujos olhos de pedra e tinta nos encaram agora.
E a única fonte de luz disponível está nas suas mãos.
Em meio a toda essa opressão, temos vontade de desistir, andar em marcha ré, quebrar tudo o que estiver em nosso alcance ou nos largarmos em um canto e chorar até que o chão engula de uma vez.
Nesse estado de desespero é muito fácil se deixar levar por palavras sem pé nem cabeça, ser seduzido por qualquer babaquice e imitar figuras ridículas na tentativa de encontrar uma identidade para si. É fácil se iludir. Entramos em qualquer porta. Escancaramos uma por uma e ficamos deprimidos ao depararmos com apenas mais escuridão.
Mas a única luz no recinto está em suas mãos. E de mais ninguém.
Não podemos ver o final do corredor assim como não conseguimos prever nosso próprio futuro, mas as portas estão disponíveis em toda a extensão de todos os corredores atrás de cada porta, como um labirinto. É facílimo se perder num labirinto, porém o objetivo de uma construção desse tipo é justamente se achar. Nenhuma é igual à outra, mas todas elas, tanto a de papelão quanto a de ferro, estão abertas. Independente do que todos digam e do que está escrito nos pedestais do Olimpio de almas penadas, não existe tempo limite para escolher nenhuma delas contanto que se tenha coragem, sabedoria e amor para ir com a escolha até o fim, ainda mais porque ficar estagnado em um meio a portas e imagens não adianta coisa alguma e nada nos impede de dar meia volta e tomar um caminho diferente.
É de enlouquecer qualquer um.
Somos máquinas, por acaso? Somos mais como as árvores, que crescem sempre em direção ao céu e nos aprofundamos cada vez mais no solo em que nascemos. Ninguém pode dizer a uma árvore quanto tempo ela tem para atingir sua maturidade nem quando ela tem que florescer ou dar frutos e muito menos estimar o quanto ela vai viver. Ninguém tem esse controle.
Pode-ser apenas cuidar dela com carinho, ajudá-la a se sustentar até ter um tronco forte para se manter um pé e, mesmo que o tempo esteja seco e o solo fraco, nunca desistir dele. Precisamos de terra, de água e principalmente de sol para nos nutrir.
A luz que carregamos é um fragmento daquilo que nos foi presenteado pelo nosso sol, seja ele quem for. Com tanto que tenhamos os pés em contato com o chão e a luz sempre conosco, não há quem nos derrube. É necessário um grande trabalho para derrubar uma árvore que cresceu até atingir seu apogeu. Um fantasma, por exemplo, não conseguiria.