Que belas palavras,
Que orações tão bonitas
Pelos mais célebres mestres escritas.
Ensinam-nos o que dizer
E a norma culta de se falar.
Substantivos, verbos, artigos.
Adjuntos e adjetivos;
Nada disso existe no popular.
Vejam que respeitáveis regras
Elaboradas pelos mais doutos senhores.
Palavras corretas e aristocráticas
Não precisam de cheiros nem de cores.
Quem dera servissem para
Para alguma coisa também.
Rodrigo Martins
rodrigosinc@hotmail.com
domingo, 19 de setembro de 2010
terça-feira, 14 de setembro de 2010
1985
No ano de 1985, os protestos por parte dos estudantes brasileiros chegaram a tal proporção que colocaram abaixo um regime militar que perdurava por mais de vinte anos. Naquela época, os jovens que se opunham em seus ideais aos princípios impostos pelo governo; eram capturados, presos, torturados e, muitas vezes, mortos. Pessoas desapareciam o tempo todo e, em paralelo às passeatas combatidas pelas tropas de choque, artistas de todo o Brasil afrontavam os militares e atiçavam as multidões.
Hoje, séc. XXI, pessoas ainda desaparecem e são mortas, o governo ainda pinta e borda fazendo o que bem entende e passeatas continuam a ser organizadas exigindo medidas de melhora e renovação. Apenas um fato novo: o silêncio dos artistas.
As bandas e personalidades inusitadas, a poesia violenta e comovente, a raiva, o sentimento de revanche, todos esses fatores presentes nos anos 80 sumiram junto com a morte e aposentadoria da maioria de seus representantes. Sobraram apenas os “dinossauros” que raramente lançam uma música nova. No lugar deles, caiu no gosto da molecada a poesia melosa, mistura de a atitude do rock, o ritmo do samba, a personalidade do pop, o sentimentalismo do sertanejo e a alegria do forró, só que sem a mesma identidade e nem a mesma sonoridade.
Essa nova poesia não tem posicionamento político, possuem rimas fracas, pouco conteúdo e, ao ouvinte desacostumado, parecem todas iguais. Não é culpa dos adolescentes se eles se abraçaram esse estilo; a mídia a serviço daqueles que retém o poder investe pesado bombardeando crianças com músicas sem conteúdo intelectual para que no futuro, comandar uma nação seja muito mais fácil. Prova de que isso é uma realidade é a participação e posicionamento político dos menores de 18 anos (ou até mais!) e a sua falta de conhecimento quanto aos assuntos globais, a não ser que a notícia seja quem terminou com quem ou qual é a marca de batom de tal atriz.
Existem, porém, entre os novos ídolos da galera, os que se empenham em protestar e fazer barulho, empenhando-se em ser uma pedra no sapato dos ricos e poderosos. É só uma pena que esses especialistas em protestos e respostas mal-criadas não tenham dominado ainda a arte da sutileza, de falar nas entrelinhas e fazer melodias agradáveis ao ouvido além de um belo patrocínio e espaço na mídia.
Quer gostar de um tipo de música que pinta tudo de colorido, tudo bem, é uma escolha sua, mas tenha pelo menos consciência do mundo em que você vive fora das comunidades virtuais e redes sociais. Deixe o twitter de lado pelo menos por hoje e abra uma revista, saia de casa, converse com pessoas no aqui e agora. Aproveite que não existe mais censura e toque de recolher e faça valer o esforço dos estudantes feridos e mortos que lutarm pela nossa liberdade até vencerem em 1985.
Hoje, séc. XXI, pessoas ainda desaparecem e são mortas, o governo ainda pinta e borda fazendo o que bem entende e passeatas continuam a ser organizadas exigindo medidas de melhora e renovação. Apenas um fato novo: o silêncio dos artistas.
As bandas e personalidades inusitadas, a poesia violenta e comovente, a raiva, o sentimento de revanche, todos esses fatores presentes nos anos 80 sumiram junto com a morte e aposentadoria da maioria de seus representantes. Sobraram apenas os “dinossauros” que raramente lançam uma música nova. No lugar deles, caiu no gosto da molecada a poesia melosa, mistura de a atitude do rock, o ritmo do samba, a personalidade do pop, o sentimentalismo do sertanejo e a alegria do forró, só que sem a mesma identidade e nem a mesma sonoridade.
Essa nova poesia não tem posicionamento político, possuem rimas fracas, pouco conteúdo e, ao ouvinte desacostumado, parecem todas iguais. Não é culpa dos adolescentes se eles se abraçaram esse estilo; a mídia a serviço daqueles que retém o poder investe pesado bombardeando crianças com músicas sem conteúdo intelectual para que no futuro, comandar uma nação seja muito mais fácil. Prova de que isso é uma realidade é a participação e posicionamento político dos menores de 18 anos (ou até mais!) e a sua falta de conhecimento quanto aos assuntos globais, a não ser que a notícia seja quem terminou com quem ou qual é a marca de batom de tal atriz.
Existem, porém, entre os novos ídolos da galera, os que se empenham em protestar e fazer barulho, empenhando-se em ser uma pedra no sapato dos ricos e poderosos. É só uma pena que esses especialistas em protestos e respostas mal-criadas não tenham dominado ainda a arte da sutileza, de falar nas entrelinhas e fazer melodias agradáveis ao ouvido além de um belo patrocínio e espaço na mídia.
Quer gostar de um tipo de música que pinta tudo de colorido, tudo bem, é uma escolha sua, mas tenha pelo menos consciência do mundo em que você vive fora das comunidades virtuais e redes sociais. Deixe o twitter de lado pelo menos por hoje e abra uma revista, saia de casa, converse com pessoas no aqui e agora. Aproveite que não existe mais censura e toque de recolher e faça valer o esforço dos estudantes feridos e mortos que lutarm pela nossa liberdade até vencerem em 1985.
Rodrigo Sinckevicius Martins
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